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Aprofundamento

A ARTE DE

PROJETAR

Leonardo Chiodi

16 de fevereiro de 2022

Image by Ben Neale

A abordagem do design já existe há muito tempo, porém vamos analisar da Bauhaus para frente. Basicamente, nos anos 20 na Alemanha, um grupo de artistas chegou a uma conclusão interessante: precisamos pensar em novos modelos e criar soluções para o nosso dia a dia, e não mais pensar apenas em máquinas e escala de produção.

 

Como um movimento vanguardista de artistas e designers, a Bauhaus começou a atuar buscando criar soluções práticas e viáveis para o nosso dia a dia. É sobre as pessoas que vão ser impactadas por aquela criação ou solução. É sobre usabilidade, utilidade, mas também sobre estética.

 

O Design pode ser compreendido como um processo ou ciência para solucionar um determinado problema.

 

Ao escovar os dentes, abrir a porta do carro, subir pelo elevador do prédio, ligar o computador, esquentar a marmita no micro-ondas, lavar os talheres, enfim, toda e qualquer ação do dia a dia que você consiga imaginar, tem design no meio!

 

Afinal de contas, foi necessário a cabeça pensante de um designer para solucionar e facilitar os problemas do seu cotidiano, por exemplo, ir do térreo ao 11º andar de forma rápida e prática.

Design de Produto

Design de produto, também conhecido como design industrial, é a área do Design que trabalha com a criação, desenho e desenvolvimento de bens de consumo: utensílios, móveis, automóveis, máquinas, roupas, e outra infinidade de itens.

Essa área está diretamente relacionada à resolução de problemas, ou seja, sua missão é transformar ou adaptar materiais e tecnologias existentes em objetos práticos, funcionais e, muitas vezes, belos (ou não, mas aí é outra história que você vai ver mais adiante).

O design não é uma ciência exata, pois nos leva a refletir sobre como podemos melhorar tudo à nossa volta. Também se ajusta de acordo com o tempo, costumes sociais e outros contextos em que se insere. O design é atemporal, flexível, sempre aberto a mudanças.

É só parar para pensar na linha do tempo de diversos produtos que estão inseridos em nosso cotidiano, sejam eles na área da tecnologia, alimentação, moda... Basicamente tudo já passou por alterações constantes de design.

Design de Serviço

O design de serviço é uma abordagem multidisciplinar que tem como foco desenvolver e lapidar a experiência dos seres humanos e a qualidade de serviços prestados por uma organização. Seus principais pontos são a otimização de processos, o desenvolvimento do engajamento de todas as pessoas envolvidas naquele contexto (colaboradores, clientes, fornecedores) e, consequentemente, o desenvolvimento de uma cultura de inovação

Também podemos refletir sobre como existe toda uma gama de pessoas que estão dispostas a desembolsar valores altíssimos em uma refeição de um restaurante conceituado ou por uma roupa de uma marca high-end ao mesmo tempo em que consegue encontrar opções semelhantes por valores menores. Por isso mesmo, existe a provocação de que tudo é serviço.

Seja usando um smartphone, preparando uma refeição ou andando de ônibus, vivenciamos diariamente experiências diferentes, pensadas para atender às necessidades de um cliente específico. No texto original, a palavra serviço define o ato de servir, ou seja, trabalhar para alguém, um grupo de pessoas ou uma instituição. Os serviços determinam a utilidade de um produto, marca ou negócio.

O próprio aparelho celular acaba sendo apenas um objeto que, na verdade, é um hub dee serviços infinitos. Chamadas telefônicas, comunicação via redes sociais, movimentações financeiras, consultas bancárias, monitorar informações de saúde, estudar tendências, assistir séries e filmes, realizar cursos, a lista é imensa.

Nessa perspectiva, o valor nunca está no processo ou no produto, mas no valor entregue às pessoas, no serviço proporcionado.

Design Thinking

 

Design Thinking é uma dessas expressões que estão muito em alta ultimamente. Mesmo que seu conceito tenha sido desenvolvido há duas décadas, nos últimos dois anos a busca pelo domínio das técnicas tem crescido tanto em pesquisas virtuais como dentro dos ambientes corporativos.

 

Isso porque o Design Thinking é um modelo mental que busca solucionar desafios complexos com um olhar mais humano, segundo Tim Brown, um dos pais do conceito e autor do livro “Design Thinking - Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias”.

E, se você chegou aqui, já deve estar ciente desse gigantesco movimento de humanização das marcas, certo? As empresas estão entendendo (e aceitando, felizmente) que precisamos olhar para as pessoas e entendê-las como pessoas, não como números, como as corporações estavam acostumadas a fazer desde que o American Way Of Life se tornou um sonho (a gente pode combinar que esse tipo de pensamento já está beeem ultrapassado, ok?).

 

Veja bem, números são importantíssimos e fundamentais em qualquer processo - eles guiam e metrificam o sucesso dos projetos - um bom exemplo é este aqui, da SalesForce, que teve um crescimento de US$1,5 milhão em vendas.

 

Olha só, o Design Thinking, neste caso, solucionou um complexo gargalo em vendas.

 

Uma estratégia que ajuda bastante a entender, de fato, o que é Design Thinking, é separar as duas palavras e interpretá-las. Design está diretamente associado à estética, a algo visual, ou que nos dê melhorvisualização. Thinking contempla o entendimento de modelo mental, de cadência de processos estratégicos.

 

Dessa forma, Design Thinking pode ser entendido como modelos mentais que nos ajudam a visualizar melhor problemas e soluções possíveis.

 

O modelo mental vai te ajudar a entender com mais precisão onde está o gargalo - seja da empresa em que você trabalha, seja na sua própria empresa, seja em sua vida pessoal - que precisa ser resolvido.

 

Design Thinking é o meio, não o fim. Ele serve para te mostrar onde você está, para onde você está indo e o que precisa ser feito para que você chegue aonde realmente quer.

 

O Design Thinking, em teoria, não exige nenhum certificado para ser aplicado. No entanto, é preciso ter razoabilidade: ele só vai ser efetivo se você verdadeiramente dominar suas etapas.

 

Qual é a função de um carro de corrida se colocarmos nas mãos de alguém que não faz ideia de como dirigi-lo? Ou, pior: o que pode acontecer se este carro estiver em mãos amadoras? O impacto pode ser mais negativo do que antes.

 

A ordem aqui é estudo e aplicação, não formação ou cargo. Para usar o Design Thinking, é preciso estudar, estudar, estudar. Sem atalhos, sem truques. Não é mágica. E colocar em prática (com cautela e bom senso) é tão fundamental quanto.

 

Mas, afinal, é só colar post it?

 

Para a maioria, pensar em Design Thinking é visualizar uma parede repleta de post its coloridos e com anotações!

E não é como se a maioria estivesse errada. Os post its são boas ferramentas para aplicar o conceito. Mas sem o fundamento do Design Thinking, post its na parede serão apenas post its na parede, e não etapas estratégicas de um processo baseado no modelo mental que soluciona problemas.

 

Post its são alguns dos pincéis dos artistas. 🎨🖌️

 

E serão uma fantástica forma de você visualizar o que precisa ser feito no processo de solução dos problemas.

 

Lembre-se: quanto mais você estudar e aplicar o Design Thinking, mais você dominará os processos e exercitará o melhor da sua criatividade.

 

Se você se interessou pelo conceito, dá uma olhada no que a Ensaio construiu para os entusiastas da inovação e desafiadores do status quo.

Temos uma provocação a fazer no próximo Pico.

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