Sustentabilidade ou Regeneração: qual é o futuro humano no Planeta Terra?

Atualizado: 14 de mar.



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Faltando 8 dias para o Dia de Sobrecarga da Terra e sabendo que ainda estamos na metade do ano, praticamente, precisamos nos questionar: a prática sustentável é o suficiente para que a espécie humana continue vivendo minimamente bem na Terra?


Quando você pensa de forma otimista no futuro, qual conceito atual lhe vem à mente?


Aposto uma nota de 3 reais que "sustentabilidade" logo brota em sua cabeça, como uma plantinha verdejante que brota do solo e virou sinônimo de práticas sustentáveis, ou seja, que apoiam a manutenção dos estados em que vivemos. Mas será isso o suficiente para garantir que nossos futuros possíveis sejam positivos, ou, no mínimo, menos piores?


Talvez para iniciar a nossa conversa, seja interessante nos questionarmos: o que é sustentabilidade? De acordo com o dicionário Aulete, em sua versão digital:


(sus.ten.ta.bi.li.da.de)

sf.

1. Qualidade ou condição de sustentável

2. Ecol. Econ. Modelo de desenvolvimento que busca conciliar as necessidades econômicas, sociais e ambientais de modo a garantir seu atendimento por tempo indeterminado e a promover a inclusão social, o bem-estar econômico e a preservação dos recursos naturais; DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL



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Dessa forma, partimos do ponto no qual temos sustentabilidade como preservação das fontes e dos meios que apoiam as necessidades humanas. Acredito ser importante a ênfase no humanas, pois o conceito de sustentabilidade é intrínseco aos ciclos da natureza em seu estado puro, nos quais o equilíbrio é atingido de forma orgânica, não há perdas, ou lixo, e os processos ocorrem em períodos de tempo que permitem e respeitam a reconstrução dessas fontes.


No âmbito humano, a partir do momento que ganhamos a falsa impressão de que podemos moldar e controlar a natureza, algo que teve seu início na Revolução Agrícola, também desenvolvemos a percepção errada de que somos seres descolados do resto do mundo natural.


De lá para cá, desenvolvemos sociedades inteligentes, cultura, religião, arranha-céus que cortam as nuvens e processadores que colocam inteligências artificiais nos nossos bolsos, os indispensáveis smartphones.


Com tudo isso, não é de se espantar que nos colocamos como "senhorios" desse planeta, com o qual exercemos tamanho domínio e aparente força de ditar os seus futuros.



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Nos colocamos acima da natureza - e agora pagamos o seu (alto) preço.


Com a globalização, essa noção ganhou proporções, bem… Globais. Hoje, temos como algo natural consumir produtos importados, que, por motivos geográficos, seriam inacessíveis se não tivéssemos soluções modernas que aceleram o deslocamento entre longas distâncias.


Olhando sob uma ótica superficial e prática, isso aparenta ser o melhor de dois mundos: mesmo que você esteja milhares de quilômetros distante de uma iguaria ou de qualquer outro produto, a inventividade humana liga os dois pontos. Temos acesso a um mercado global, conectado e, aparentemente, irrefreável - mas a qual custo?



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Do ponto de vista da ordem natural das coisas, isso é ao menos aceitável?


Vamos supor que uma espécie de peixe que habita apenas o sudeste asiático, e que poderia atender a demanda da população humana que ali se encontra, agora é caçada e exportada para atender uma demanda global. A conta simplesmente não fecha.


O estilo de vida acelerado de parte considerável da sociedade, de consumo imediato e tão acessível, está corroendo o planeta Terra bem diante dos nossos olhos - mas temos a irritante mania de perceber problemas apenas quando eles nos afetam de forma direta e aguda.


O Dia de Sobrecarga da Terra, uma data anual que identifica quando já utilizamos todos os recursos naturais do planeta para aquele ano, chega cada vez mais cedo.



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Em 2021, a previsão é de que seja no 29 de julho, mesmo no meio de uma pandemia global e de recessão econômica.


Não estamos considerando e nem dando tempo para a Terra se regenerar.


Pegamos e extraímos à medida que sentimos necessidade (financeira, principalmente), sem nos atentar aos efeitos nocivos imediatos e no médio e longo prazo não somente a nós, mas a todo o ecossistema que depende desse equilíbrio.


Para efeitos de visualização, dados de 2019 informam que se todos os seres humanos vivessem como os europeus, precisaríamos de 2.8 planetas Terra. Outro estudo, de 2017, alerta que se todos vivêssemos como estadunidenses, precisaríamos de 5!


É irrefutável que o nosso estilo de vida e de consumo não são sustentáveis - se continuarmos a fazer a manutenção disso tudo, é apenas uma questão de quando tudo irá ruir.


Precisamos, imediatamente, começar a planejar e a agir nos pautando em cima de práticas e futuros regenerativos.

Seguindo a mesma linha, vamos nos aprofundar no significado da palavra, de acordo com o dicionário Aulete, em sua versão digital:


(re.ge.ne.rar)

v.

1. Gerar(-se) ou formar(-se) de novo: Regenerar células: Se cortado, o rabo da lagartixa se regenera.

2. Reorganizar, reconstituir: Regenerar a estrutura da empresa.

3. Emendar(-se), reabilitar(-se): Regenerar um criminoso.

[F.: Do v.lat. regenerare. Hom./Par.: regeneráveis (fl.), regeneráveis (pl. de regenerável


No contexto socioambiental em que nos encontramos hoje, no qual nós mesmos nos colocamos, pensar e agir de forma sustentável já não é mais suficiente.


Em linha com o ditado popular "tapar o Sol com a peneira", práticas guiadas pela sustentabilidade apenas apoiam a manutenção do que já temos - e, como já está claro, o que temos hoje não é bom o suficiente para manter.



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O que precisamos é de ações que visam regenerar locais, recursos e populações destruídas, ou a ponto de, aos seus estados naturais de abundância, em que possuem tempo para reconstrução e, consequentemente, atingir o equilíbrio de forma orgânica.


Obviamente, essa não é uma tarefa fácil. Afinal, se nem a questão da sustentabilidade conseguimos atingir de forma aceitável, quem dirá a da regeneração.


Mas, sendo bem pragmático, não temos outra alternativa a não ser a adoção, o investimento e a ação de práticas que possam regenerar o nosso planeta.


Temos hoje espécies e ecossistemas entrando em colapso, seja pelo consumo predatório, seja pelo aquecimento global (lembremos, também provocado por nós), mudanças climáticas que impactam a Terra como um todo e a falta de recursos naturais essenciais para a vida já atingindo muitas regiões.


Nossa relação com o consumo, com os meios de produção e com o meio natural precisam de uma página em branco, uma virada de 180 graus. Precisamos nos colocar de volta como seres que integram o ecossistema, que vivem e dependem dele, e não como seu mestre.



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Para fechar com uma luz positiva, o planeta Terra tem incríveis capacidades naturais de regeneração, uma vez que tem tempo e respeito para concluir os seus processos. Mas ele não consegue fazer isso ao mesmo tempo que a espécie animal dominante que o habita o consome de forma tão desenfreada e inconsciente - e as suas respostas a isso estão cada vez mais aparentes.


Ambições extra planetárias à parte, temos apenas um planeta como o nosso, único, abundante e absolutamente lindo, e já passou da hora de o tratarmos como igual.



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