Indignai-vos!



in·dig·na·ção

(latim indignatio, -onis) substantivo feminino


1. Acto ou efeito de se indignar. 2. Sentimento de fúria ou desprezo, geralmente provocado por algo considerado ofensivo, injusto ou incorrecto. = AGASTAMENTO 3. [Por extensão] Ira, ódio, raiva.




Em um mundo feito de passividade e rotina, a indignação tem perdido força.


Utilizando o livro de Stéphane Hessel como base para este texto, o hábito de se indignar tem sido engolido desde o início do século XX no movimento de consumo de massa e publicidade "não pensada".


Devagar, a sociedade do consumo tem perdido força para movimentos locais de consumo consciente e desaceleração global. E é disso que gostaria de falar neste texto.


Nós, como designers, precisamos retomar o ato de indignação como premissa de nossos olhares. Toda indignação parte do pressuposto de que há uma posição consolidada de nosso lado — o que achamos que pode agregar e o que achamos que pode desagregar.


Se entendemos que olhar para o ser humano primeiro para entender suas necessidades é uma prioridade, já temos o primeiro passo.


Para isso, retomemos nosso olhar central: o design pode ser resumido em adequação ao propósito. Ps.: obrigado Rafael Cardoso pela definição.


Partindo desse olhar, devemos trabalhar na construção de uma transformação possível para uma sociedade mais humana e consciente sobre as soluções que propõe.

Pronto, já temos um ponto de partida para a indignação. E aqui, distancio indignação de rebeldia.


  • Rebelde é aquele que grita;

  • Indignado é aquele que quer quebrar o status quo colocando a mão na massa.


Se o nosso propósito é mudar a normalidade e rotina de padrões repetitivos, não-pensados e danosos para o ser humano, é necessário um ponto de partida: a indignação.


Enquanto nós, como designers, continuarmos como passivos e aceitando o que já esta pré-definido, o mundo continuará da mesma forma: poluído, degradado e inconsciente.


Então aqui busco uma provocação: o que você, como ser humano (leia-se designer), tem feito para mudar o status quo em busca de um futuro possível e consciente?


Se nós não tivermos atitude para isto, quem terá?


Ps.: obrigado Victor Falasca Megido pela provocação no livro "A Revolução do Design" que rendeu uma série de reflexões e este texto, inclusive.

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