O mundo dos padrões e suas imperfeições



E se eu não quiser ter uma startup? E se eu não quiser ser um unicórnio?



Vemos neste mundo do empreendedorismo e startup muitos objetivos, metas, estruturas organizacionais e caixas que todos devem se enquadrar. Todo jovem que tem uma startup "deve" ter um funil de vendas bem definido com metas, uma cultura organizacional que represente perfeitamente os seus valores, produtos com uma usabilidade perfeita e outras caixas mais. Inclusive até a sua Vovó busca te colocar em uma caixa: "O meu netinho esta trabalhando com essas coisas de Facebook"; ou seus amigos do mercado tradicional falam "eai, já virou o novo Mark?" (se bem que nem isso as pessoas estão querendo mais! rs, foi mal Zuck).


Pois bem, a questão é: este é um cenário de padrões.


Existe, no senso comum/inconsciente coletivo, uma série de padrões de sucesso e reconhecimento, do tipo — se você fizer isso, resultará nisso. Quase que um arquétipo do empreendedor de sucesso: aquele que trabalha até às 20h todos os dias, sai com os amigos e diz sobre o sofrimento de trabalhar até tarde e ter o próprio negócio, etc..


O cuidado é: até que ponto essas não são máscaras? Até que ponto não estamos agindo inconscientemente para suprir uma necessidade desse insconsciente coletivo que "espera" isso de nós? Até que ponto não estamos vivendo como zumbis nesses padrões do senso comum?


Vemos inúmeros casos de empreendedores que viveram durante muito tempo nesses padrões e caíram em depressões, frustrações e traumas por viver algo que eles não eram.


E aqui esta o ponto de virada: quando começamos a questionar/quebrar esses padrões do inconsciente coletivo, começamos a dar espaço para a nossa liberdade intuitiva. Começamos a liberar o nosso lado que é imperfeito, erra e constrói com o erro.


Lembro de um livro que me trouxe esse ponto de vista: Indignai-vos, do Stéphene Hessel — recomendadíssimo.


A partir do momento que começamos a nos indignar, perguntar o por que de executar de tal maneira pré-estabelecida, começamos a despertar o nosso inconsciente e trazer àluz para pontos que fazíamos automaticamente sem pensar.


E esse é um exercício muito saudável para atuarmos em nossas vidas de acordo com nosso propósito individual, de uma maneira mais leve e feliz.


E aqui voltamos a provocação inicial: e se eu não quiser ser um unicórnio? O cérebro de alguns pode entrar em colapso nesse momento, mas é um questionamento muito ok. Hoje todos estão sedentos por dinheiro (e tudo bem). O problema é ser um dinheiro vazio, sem preenchimento.


Hoje em dia estamos tão ocupados com o racional e a busca da perfeição que esquecemos que o belo esta no imperfeito e no que ainda não esta pronto. E aqui vai um dado importante: apenas 2% do nosso cérebro trabalha em questões práticas e racionais; os outros 98% trabalha sob intuição, caos e criatividade.


Esses dois 2% tem o peso de duas colheres de arroz. Estamos mesmo entregando a nossa vida para algo que pesa duas colheres de arroz? (rs).


Ou melhor: estamos mesmo entregando o nosso dia a dia para algo que representa 2% de toda nossa capacidade neurológica?


Com esse artigo especificamente, não busco chegar a nenhuma conclusão e não afirmo que não quero ser um unicórnio (rs). Mas escrevi apenas para provocar alguns e talvez trazer questões automáticas à luz para começar a despertar um pouco mais a nossa essência — que é imperfeita (e é aqui que mora o belo).


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