Todo produto deveria passar por esse teste de cinco perguntas


Tenho me impressionado com a transição que venho acompanhando nas empresas e pessoas mais inovadoras que eu respeito quando se trata de inovação.


A maioria deles diz que é ok continuar produzindo produtos e serviços irresistíveis, ou seja, que elas não conseguem deixar de usar (seja por sanar um problema ou por terem sido feitos para liberar dopamina — alô Facebook).


Porém, a maioria deles diz também que é exatamente por isso que nossos produtos tem data de validade: eles satisfazem aquela pessoa, mas não conseguem deixa-la mais saudável a longo prazo.


E para isso vamos utilizar uma metáfora.


A loja de rosquinhas


Imagine que você tem uma loja de rosquinhas (ou donuts). Você vende rosquinhas todos os dias para alguns clientes novos, outros que já são conhecidos da casa. Especialmente, existe uma pessoa que vai todo dia na sua loja e compra algumas rosquinhas para viagem.


A cada novo sabor lançado, essa pessoa compra ansiosamente algumas unidades.


Sempre quando essa pessoa chega na hora de fazer o pagamento, ela já vai abrindo a caixa ansiosamente para comer uma rosquinha antes de finalizar o pagamento.


Um certo dia, ao ver esta pessoa saindo da loja com sua sacola, você decide perguntar: "você gosta de rosquinhas?"


E a pessoa te responde:


"na verdade, eu gostaria de comer menos rosquinhas e comer mais alimentos saudáveis. Mas eu não consigo resistir!".


E o comportamento se repete.


Não são apenas rosquinhas…

E todos nós temos uma série de rosquinhas: nossos videogames, os carros que dirigimos, os smartphones que não paramos de usar… são todos irresistivelmente bons no momento e resolvem um "problema" atual, mas não nos deixam mais saudáveis.


Nos deixam doentes.


Um americano médio consome 3.500 calorias/dia e fica 10 horas em frente a telas/dia. Esses dados são reflexos que nossos padrões de consumo: o que nós somos estimulados a fazer por marcas e empresas, mas nem sempre tomamos atitudes conscientes sobre isso.


E o papel de nós, empreendedores, CEOs, designers, desenvolvedores, marketeiros e etc? Onde está?


Nós somos essas pessoas que estimulam algo que não é saudável? Nós ao menos sabemos disso?


Essa é a provocação que quero trazer aqui.


Nós estamos produzindo apenas rosquinhas?


Eu diria que é responsabilidade de todo empreendedor considerar o impacto das empresas que estamos construindo e dos produtos que estamos criando. É uma questão básica, mas não é fácil: o impacto do meu produto ou empresa está tornando as pessoas mais saudáveis ​​ou menos saudáveis? — Thomas Goetz, CEO da iodine.

Pensando neste tema, o Thomas Goetz, CEO da iodine, criou o "Teste das Rosquinhas" — uma forma de saber se você esta contribuindo com produtos e serviços mais saudáveis ou não.


Recomendo fazer o teste das rosquinhas sempre que quiser refletir sobre o impacto de sua empresa ou trabalho, e se isso esta alinhado com o que quer.


Vamos ao teste.


Doughnut Test

O seu produto/empresa/serviço/trabalho…


1. Reduz o tempo que as pessoas passam sozinhas?


2. Ajuda as pessoas a se movimentarem mais?


3. É bom para você e sua família / amigos / comunidade?


4. Faz as pessoas se sentirem melhor depois de usá-lo?


5. As pessoas se beneficiam mais quanto mais usam?


Responder essas perguntas de uma forma genuína e sincera te localiza em relação ao seu cliente/usuário e provoca uma reflexão sobre o impacto humano que você vem causando.


Estamos tão preocupados com o decisão do botão ser verde ou amarelo que paramos de pensar que:


  • as pessoas continuam engordando;

  • 4% da população global tem ansiedade e 4% tem depressão. São as maiores doenças do século;

  • continuamos desmatando as nossas reservas florestais;

  • continuamos destruindo civilizações, povos e pessoas;

  • existe uma desigualdade gigantesca quando falamos de gênero e cor;

  • não conseguimos entregar saneamento básico para uma grande parte da população.


O objetivo do Teste de Rosquinha não é influenciar os empreendedores de criar algo que as pessoas querem ou algo que eles possam até desejar.


Em vez disso, o objetivo é nos desafiar a pensar sobre as consequências de curto e longo prazo do que estamos construindo.


De fato, o teste é mais que um desafio: é uma oportunidade. Se podemos realmente fabricar produtos que atendam às necessidades das pessoas, mas também produzir um ambiente melhor e mais saudável, e clientes mais saudáveis ​​e felizes, então estamos construindo algo verdadeiramente irresistível.



Então, pergunte-se: você está realmente tornando o mundo um lugar melhor e mais saudável? Ou você está apenas fazendo rosquinhas?



Este texto é uma adaptação do artigo escrito por Thomas Goetz na revista Inc., você pode conferir mais aqui.


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