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Aprofundamento

O COMPORTAMENTO

POR TRÁS DOS NÚMEROS

Fernanda Cardillo

21 de outubro de 2021

Chega a ser óbvio, mas a humanidade é o que nos torna humanos. É a única coisa que 7 bilhões de pessos têm em comum. Os comportamentos, costumes e pensamentos são diferentes até entre pessoas tão próximas quanto irmãos gêmeos, então como é possível agrupá-los? Reduzir nossas ações e manias, que achávamos únicas da nossa essência como indivíduos, à uma categoria comportamental pode soar até triste. Porém, a chegada da era da tecnologia na história da humanidade tevem como uma das consequências o mapeamento e a quantificação das nossas ações.

Assim, a internet tornou-se uma ponte para captar informações e dados de forma exponencial. O famoso Big Data utiliza como principal ferramenta a tecnologia da internet para entender os comportamentos humanos e suas mudanças. Para uma definição leiga e direta, necessária na internet, o Big Data é "a área do conhecimento que estuda como tratar, analisar e obter informações a partir de conjuntos de dados grandes demais para serem analisados por sistemas tradicionais", segundo a Wikipedia.

 

 

 

Adentrando um pouco mais esse tema, o Big Data é composto pelos 5Vs: o volume de dados, a velocidade de mudança, a variedade das informações, a veracidade dos fatos e o valor financeiro trazido através dos dados. Por ser um assunto relativamente novo, apesar da internet deixar tudo velho com rapidez, há uma série de profissionais, áreas e cursos surgindo justamente para criar pessoas capazes de lerem e interpretarem essa gigantesca massa de informações e transformá-las em ações focadas em melhorias de soluções e experiências para consumidores.

Há uma contradição interessante quando falamos de números. O pré conceito é relacioná-los à pessoas de "exatas”, uma vez que dados são formas de mensurar um comportamento humano. O mesmo funciona para o caminho inverso, no caso de 600 mil humanos passarem a ser apenas números. Com a base dos dados sendo as nossas ações, comportamentos e até pensamentos, será que não faz mais sentido dizermos que a análise de dados é uma ciência humana? Essa concentração de informações nos ajuda a guiar decisões estratégicas e táticas para qualquer área relacionada à humanidade, ou seja, até o momento, todas. Com isso, fica claro a necessidade de pessoas que se dizem de humanas também entenderem os comportamentos humanos através de números, descentralizando essas análises e gerando melhores experiências e resultados para os consumidores finais.

Por outro lado, há muitas vezes uma falta de capacidade e conhecimento para o entendimento desses dados, gerando uma leitura errada e por consequência, falhas e ações desalinhadas com a realidade. É dessa forma que se entende a necessidade da descentralização de conhecimentos no ramo de dados. A geração de insights a partir de uma leitura correta pode vir de qualquer pessoa e cargo, criando uma conversa rica com pontos de vista diferentes e focando em melhorias de processos e resultados. Em mundo de incertezas e com tecnologias avançando rapidamente, o medo de ser substituído por um robô está deixando de ser uma ficção científica e se tornando uma realidade. No entanto, o que nos diferencia da inteligência artificial é justamente a nossa essência de entender o ser humano. Dados são gerados a partir de nós mesmos e a empatia é a forma mais humana de ler e interpretar essas informações.

Enquanto eu escrevia esse texto, o meu próprio computador me sugeria formas para completar a minha frase baseado no comportamento. Não poderia haver exemplo melhor para a situação que eu estava descrevendo. Porém, isso me gera uma confusão. Estou construindo minhas próprias ideias com a ajuda de uma ferramenta ou estou sendo usada com uma ferramenta da inteligência artificial?

Temos uma provocação a fazer no próximo Pico.

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