Ode à Curiosidade

Atualizado: 23 de Set de 2019

Nascemos e crescemos em busca da resposta certa. Mas será que é assim que deve ser?


Desde o ambiente escolar, somos desenvolvidos neste contexto baseado no ecossistema em que uma pessoa (professor) nos dá uma resposta e que toda pergunta tem - de novo - uma resposta certa, pautada no pensamento lógico. Se tivermos as respostas certas, entramos para a faculdade, que, mesmo inserida em um ambiente acadêmico, acaba reforçando esse modelo.


Após essa etapa, nos formamos como profissionais e o nosso principal objetivo passa a ser o de dar respostas.


Nossos objetivos são validados com os resultados que, dessa forma, são pautados na performance, medida pelas respostas certas que damos para alcançar o sucesso.


Aonde vamos chegar se nós continuarmos crescendo num mundo ligado apenas a dar respostas?


Esse modelo nos leva a uma forma de pensamento fechada, sem busca por outros caminhos e à falta de curiosidade. É um modelo pautado no medo de errar, que solidifica dois principais tipos de bases:


1 - a construção da intolerância ao diferente, o medo do novo;

2 - ansiedade e depressão.


Precisamos transformar essa construção. Segundo o teórico Carl Jung, nossa mente é formada por diversas camadas: a camada do consciente e as camadas do insconsciente. A primeira, superficial, que está totalmente ligada ao padrão de pensamento associado à reprodução de respostas, é limitada e não se relaciona com o inconsciente.





É esse padrão de busca que mata a curiosidade.


Somos seres dotados de curiosidade e de poder de facilitação. Devemos explorar essas características não apenas para encontrar respostas, mas também para trilhar os melhores caminhos na construção de aprendizados. Como designers, temos o compromisso de buscar esses caminhos.


A curiosidade está ligada à humildade. É estar disposto a enxergar com outro olhar. Estar disposto a um ou vários entendimentos.


No ambiente corporativo, somos guiados por objetivos e pelo raciocínio lógico, que pode acabar gerando miopias diversas em múltiplos contextos. Deixamos de analisar processos e aprendizados para focar na execução e no resultado, o que pode acabar por gerar um falso conforto.



Temos de perceber em quais momentos somos adversos ao diferente - quando recebemos um Feedback de outro ponto de vista, por exemplo.


Frases como “eu sei” ou “eu consigo" são cada vez mais presentes parte do nosso dia-a-dia.


Uma reflexão que temos feito na Ensaio é a de nos perguntarmos: o quanto reforçamos a busca por respostas certas, impulsionados pelos medos dos nossos clientes?


Sempre ouvimos demandas e inseguranças do tipo: “esse é o projeto do ano, nós não podemos errar!”. Pessoas com esse tipo de medo precisam se sentir norteadas, a resposta de “pode dar tudo certo” ou “errado" é potencializada pelo discurso de ódio.


Faz parte do nosso trabalho desconstruir esse pensamento de ódio ao erro e incentivar o amor ao aprendizado. Ciência não é resposta nem conclusão, é conhecimento em progresso.


O grande benefício da teoria de Isaac Newton não foi apenas a explicação da gravidade. Mas sim todo o progresso que esse episódio desencadeou. Do conhecimento gerado pela queda da maçã, que nos fez chegar a progressos e aprendizados de tópicos como a órbita da Lua, a anatomia dos pássaros, a idealização e concepção de aviões e a possibilidade de exploração do Espaço Sideral. Tudo isso em respectivo e constante progresso.


Exceções e outliers nos ensinam o que não sabemos e nos direcionam para novas questões. A Ciência não vem para provar nada, sua tarefa é se manter humilde, disposta e curiosa.


Quando trabalhamos movidos pela curiosidade, nos forçamos a manter a humildade. Trazendo, novamente, para o contexto da Ensaio: quando iniciamos um projeto do qual não temos background ou experiência prévia, nos motivamos muito pelo fato de termos oportunidade de nos debruçarmos no contexto sem qualquer viés. Deixando de lado um pensamento orientado ao objetivo e construindo, junto com o cliente, uma mentalidade direcionada à curiosidade, para que todos os aprendizados sejam trabalhados progressivamente.




Curiosidade não é sobre encontrar a resposta certa mas sim descobrir as melhores respostas e gerar conhecimento em progresso. Assim como na Psicologia, em que o paciente constrói respostas junto ao terapeuta, nós desenvolvemos respostas junto a nossos clientes.


“Provavelmente eu sei”, é o que dizemos. “Essa solução pode dar errado, mas é a que eu acredito, se não for, você vem comigo para encontrar novos caminhos?”


Curiosidade é conhecimento em progresso.


Pense em como as coisas podem ser. Construa possibilidades.


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