Minha empresa quer inovar. E agora?

Atualizado: 23 de Set de 2019



Um dos cenários mais complexos que um colaborador de uma empresa pode se deparar é com a seguinte demanda da companhia: "precisamos inovar". Quando isso acontece, os colaboradores podem começar a pensar que se não dotarem de um mindset inovador, serão mandados embora e que acontecerá uma caça às bruxas.


Uma série de vocábulos complexos passam a fazer parte dos corredores da empresa: mindset, disrupção, plannings, check-ins, sprints, design thinking e etc.


É nesse momento devemos racionalizar. Podemos nos perguntar o que de fato é inovação? O que a empresa quer dizer quando ela diz que quer ser mais inovadora? O que a empresa espera de mim como colaborador? Porque que eu tenho que entrar nessa onda?


Porque inovação se faz com gente. A inovação é uma competência a ser adquirida e não é uma competência fácil de ser definida. Ela faz parte da forma de trabalhar de uma pessoa, ou seja, a inovação é COMO nós mudamos as coisas e nos desafiamos e não apenas o resultado final de algum projeto. Uma empresa inovadora consegue introduzir novas linhas de negócio com sucesso e ao mesmo tempo tornar seu negócio principal mais eficaz, com mais lucro e reduzindo custos.


A inovação, portanto está no meio do caminho e não no fim.


As empresas são um organismo vivo e também possuem anticorpos que protegem seu negócio principal. O sistema imunológico de uma companhia é forte e é formado por seus processos, procedimentos operacionais e comitês e alçadas de aprovação que fazem as empresas atingirem suas metas de vendas e lucratividade. Tudo isso é o que protege um negócio.


Inovar consiste em questionar os status quo da companhia e realizar uma mudança radical. Imagine alguém trazendo ou formando um novo projeto? Os anticorpos já estabelecidos irão entrar em funcionamento e matar esse projeto.


É algo natural e é a defesa da companhia. No entanto, hoje as próprias empresas vem se desafiando e trazendo novos projetos e fomentando o protagonismo de dentro. É aqui que ouvimos uma voz ressoar dentro das empresas: QUEREMOS SER INOVADORAS!


Pois é. Inovar é preciso. Peter Drucker diz que um bom negócio tem duas atividades críticas: inovação e marketing. Essas duas áreas geram resultado, o restante é custo. As empresas devem encarar a inovação como método, filosofia e deve ser oferecida a toda companhia e não só áreas-chave.


Mas, paradoxalmente, a inovação é vista como custo, ceticismo e a primeira coisa que as pessoas dizem quando entram em contato com uma metodologia é: isso não funciona/aplica para minha realidade. Mas posso dizer? É mentira, falta de visão e preguiça. Nós nos encontramos em um momento único da história em que tudo aquilo que sabíamos sobre estratégia, competição e negócios estão sendo questionados e mudados. Você vai resistir?


Já diria Clayton Christensen: "o dilema da inovação está em manter o foco no negócio atual e/ou investir em novas estratégias".


Isso faz parte da vida da maioria das empresas brasileiras. Por isso que a inovação é precisa e deve ser aceita, no entanto ela não mágica e é sorrateira. Precisamos agir. Gosto muito dos pilares da inovação que Pedro Waengertner traz em seu livro "A Estratégia da Inovação Radical". Acredito que ele tenha capturado a essência do que, na prática, uma empresa necessita para inovar e trago agora esse conteúdo direcionado a você, o maior capital vivo dentro de uma empresa.


DESIGN ORGANIZACIONAL


Muitas vezes, a estrutura organizacional de uma companhia é o que impede que a inovação aconteça de fato. A estrutura hierárquica impede que iniciativas floresçam, portanto um fator chave no desenvolvimento da inovação dentro de uma empresa é a sua quebra de rigidez hierárquica e questionamento. Somente dando autonomia para as pontas dos icebergs, uma empresa consegue responder com velocidade necessária a inovação.


Dar autonomia significa permitir o protagonismo, ou seja, fazer com que o colaborador seja o decisor-chave dos projetos. O que a empresa deve estimular é o método e a linha mestra de pensando, o resto é desenvolver o intraempreendedorismo.


Algo mais radical é promover uma mudança no desenho da organização, no conjunto de processos, estruturas, pessoas e modelo de liderança. A combinação desses fatores determina como a empresa se portará diante dos desafios da inovação, permitindo que times multidisciplinares trabalhem de forma conjunta em projetos, ou até mesmo promover a mudança para times pequenos e cross funcionais, focados em um objetivo específico (os famosos squads da Spotify).


A liderança deve exercer um papel bottom-up, ou seja, colaborativa e criativa, mantendo a equipe na ponta com autonomia para tomar decisões em relação aos projetos que está envolvida.


GESTÃO ÁGIL


Quando falamos de gestão ágil, devemos compreender que a metodologia ágil não é o CORE e sim o como. O core da gestão ágil é errar rápido para se aprender rápido. E a chave está na simplicidade, em cortar aquilo que não precisamos para atingir o esperado, no entanto não é fazer mais e sim fazer melhor. É manter o rigor da meta e flexibilizar para aprender fazendo e testando.


Cascatear a gestão ágil dentro da companhia, de forma a utilizar os recursos de maneira focada, com métodos simple e efetivos. As metodologias devem ser claras e é papel da formação do líder capacitar o time para executar suas atividades e entender o porque de todas as mudanças, podemos usar várias metodologias para tal como o Lean - MV, Kanban ou o Scrum, método este que gera resultados e aprendizados através da melhoria contínua e inspeção.


CLIENTE NO CENTRO


Por mais clichê que possa ser, o cliente sempre deve ficar no centro. Mas não estamos falando desse tipo de obviedade, estamos falando em prestar o melhor serviço possível e isso deve ser visto com seriedade. Há um conjunto de princípios bem definidos quando falamos de Cliente no Centro e há diferentes abordagens e propósitos para olharmos, afinal, nossos clientes sempre estarão lá, com problemas específicos e necessidades não resolvidas.


Aqui podemos falar de três abordagens quando falamos de manter um olhar ao cliente:


- Customer Experience (CX): é toda a experiência de interação que o cliente possui com a empresa ou com a sua marca. Basicamente é olhar a forma como o seu cliente vem experimentando estar com a sua empresa. Devemos criar estratégia para isso.


- Customer Care (CC): é cuidar do cliente de forma a se antecipar às suas necessidades e resolvê-las. Tem a mesma importância da entrega de conteúdo customizado, mas com foco no atendimento personalizado. Em poucas palavras, é o tipo de tratamento que cativa o cliente.


- Customer Success (CS): é garantir o sucesso do cliente frente a qualquer serviço que sua companhia prestou. Vai além de apenas tratá-lo bem como o termo acima aplica. Lincoln Murphy, a maior referência em CS, diz que o sucesso do cliente é "quando seus clientes alcançam o resultado desejado através das interações com a sua empresa”.


Ao olhar para esse conjunto de abordagens, podemos trazer realmente o nosso olhar do cliente no centro e fazer com que tenhamos um resultado sólido.


MATAR SEU PRÓPRIO NEGÓCIO


Algo que devemos nos preocupar é sempre o nosso negócio. No entanto devemos instalar a crença na cultura de que é necessário reinventar o negócio, permitindo que os colaboradores possam contribuir para esse processo, se adaptando a mudanças rápidas e criando times que possam explorar quais são as possibilidades dentro do mercado. Permitir que as áreas criem um mindset da criatividade; Alinhamento ao futuro. Criar moonshots.


Para acompanhar o pensamento voltado a inovação de uma companhia, há a necessidade de quebrar o mindset de colaborador e passar a promover um pensamento de investidor, trazendo um senso de responsabilidade e tomada de decisão.


Algumas empresas acabam trazendo a mentoria interna para que os colaboradores passem a pensar como investidores, trazendo uma aprendizagem acelerada com o erro e mapeando iniciativas de inovação para que possam engajar os colaboradores em projetos que são seus. É garantir e fomentar o famoso ownership.


TRABALHE COM PARCEIROS


Para manter a competitividade, a empresa deve ganhar velocidade e se abrir a recursos externos e buscar parceiros de inovação. Se faz necessário treinar e fazer com que o capital humano da companhia esteja aberto a trabalhar com parceiros de maneira ágil.


Trabalhar com empresas tradicionais, parceiros e startups que estão familiarizados o conceito de Inovação. Um dos principais desafios da Ensaio é tornar o futuro de empresas mais desejáveis e nós pensamos constantemente como podemos ajudar organizações a serem inovadoras de dentro para fora e não de fora para dentro?


As organizações podem e devem se apoiar em ideias internas e externas ou caminhos internos ou externos para inovar: contratar startups como fornecedores a fim de trazer novos modelos de mindset e trabalho, contratar novos fornecedores para projetos de inovação, desenhar novas de estratégias de go to market e talvez até mesmo investir e acelerar em startups.


Pois é. As empresas que navegarem por esses pilares da inovação com certeza acabam sendo incrivelmente inovadoras e grandes, permitindo uma mudança de cenário incrível e potencializando e desenvolvendo os seus colaboradores.


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